domingo, 11 de setembro de 2022

 




Eu costumava escrever muito. Escrever o que eu não sabia dizer e o que eu achava que não podia dizer.
Eu escrevia sobre a dor. A dor de não existir. A dor de engolir os meus sentimentos, quem eu sou e quem eu amei. A dor que lacerara meus dias e me cercava de grades. Grades que me mantiveram preso como um bicho indefeso que não sabia ou temia se defender. Eu escrevia para escapar das grades. Eu não via que a porta sempre esteve entre-aberta. Mas o que fizera com que essa porta nunca tivesse se fechado de fato, foram as palavras que aqui, em mim, sempre existiram. As palavras que outrora me aprisionaram se tornaram, por mim e em mim, voou. Eu escrevia e voei. Nem sei como isso aconteceu, mas voei.

Pablo Diêgo

  Eu costumava escrever muito. Escrever o que eu não sabia dizer e o que eu achava que não podia dizer. Eu escrevia sobre a dor. A dor de nã...